Nos últimos anos, o ambiente corporativo brasileiro passou por transformações profundas. A pandemia, o aumento dos casos de burnout e a sobrecarga emocional nas equipes mostraram que o modelo antigo de gestão não era o suficiente para criar e manter um ambiente de trabalho saudável.
É nesse contexto que a NR-1, uma das normas mais importantes da legislação trabalhista, foi atualizada — trazendo mudanças significativas na forma como as empresas lidam com riscos, incluindo risco psicossocial e impactos na saúde mental dentro do mapeamento obrigatório.
O que é a NR-1?
A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais de todas as demais NRs. Ela é o “ponto de partida”: define princípios, diretrizes e obrigações básicas sobre saúde e segurança no trabalho.
Nos últimos anos, a NR-1 passou por uma revisão importante para modernizar o processo de prevenção e padronizar como as empresas devem identificar, avaliar e controlar riscos.
Qual foi a atualização — e por que ela foi necessária?
A atualização da NR-1 foi necessária porque o modelo antigo já não acompanhava as transformações do mundo do trabalho e o número de afastamentos por questões de saúde mental cresce de maneira exponencial.
O cenário atual mostra:
- Crescimento expressivo de transtornos de ansiedade e depressão no setor corporativo;
- Aumento de licenças por burnout e estresse crônico;
- Ambientes de trabalho exigindo alta performance sem suporte adequado;
- Equipes desmotivadas, exaustas e emocionalmente sobrecarregadas.
Diante desse panorama, a legislação precisou evoluir para incluir fatores de risco organizacional, que incluem:
- Pressão excessiva,
- Sobrecarga,
- Jornadas extensas,
- Assédio moral,
- Entre outros
A atualização da NR-1 reconhece que saúde mental também faz parte da segurança do trabalho — um avanço essencial para prevenção de adoecimentos.
O que é esperado das empresas?
Com a nova NR-1, as empresas devem adotar uma postura mais ativa, contínua e preventiva.
A partir de agora, as organizações precisam:
Identificar riscos psicossociais e organizacionais
O PGR deve incluir avaliação de elementos como: carga de trabalho, estrutura de apoio, análise das relações interpessoais, exigências emocionais, avaliação da existência de situações de assédio, etc.
Implementar medidas de prevenção
Políticas, protocolos, programas e ações reais e de eficácia comprovada — não apenas eventos pontuais.
Monitoramento contínuo
A empresa deve acompanhar mudanças no ambiente, identificar novos riscos e revisar práticas.
Integrar a liderança ao processo
Gestores precisam ser treinados para reconhecer sinais de sofrimento emocional, evitar condutas abusivas e promover ambientes mais seguros.
Registro de forma estruturada
O PGR precisa ser documentado, atualizado e auditável.
Em resumo: a NR-1 exige gestão ativa, contínua e transparente da saúde mental como parte da segurança no trabalho.
Qual é a punição para empresas que não se adequarem?
O descumprimento da NR-1 pode trazer consequências sérias:
- Multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho, que variam conforme o porte e a gravidade;
- Interdição de atividades quando houver risco grave;
- Responsabilização civil e trabalhista em casos de adoecimento psíquico;
- Indenizações por danos morais quando houver comprovação de negligência;
- Prejuízos à reputação da empresa
Investir em saúde mental não é custo
A atualização da NR-1 deixa claro aquilo que profissionais e empresas já perceberam na prática:
O cuidado com a saúde mental dos colaboradores precisa fazer parte da estratégia de segurança do trabalho da empresa.
Quando uma empresa cuida das pessoas, ela registra menos afastamentos,
menos rotatividade,melhores resultados, equipes mais engajadas e produtivas,
clima organizacional mais saudável, maior retenção de talentos, mais inovação e produtividade.
No fim das contas, adequar-se à NR-1 não é apenas cumprir a lei. É criar um ambiente mais humano e mais eficiente.
Empresas que entendem isso crescem de forma sustentável. As que resistem, ficam para trás.
